Na manhã seguinte, Artur correu ao café Tavares, na Rua de S. Roque, para ler no «Século» a notícia do jantar. Havia apenas uma curta local:
«O nosso colaborador Melchior Azevedo deu ontem um lauto jantar aos seus amigos políticos e literários no Hotel Universal. O adiantado da hora obriga-nos a reservar para amanhã a descrição desta notável festa.»
Aquela apropriação que o Melchior fazia do jan…
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Na manhã seguinte, Artur correu ao café Tavares, na Rua de S. Roque, para ler no «Século» a notícia do jantar. Havia apenas uma curta local:
«O nosso colaborador Melchior Azevedo deu ontem um lauto jantar aos seus amigos políticos e literários no Hotel Universal. O adiantado da hora obriga-nos a reservar para amanhã a descrição desta notável festa.»
Aquela apropriação que o Melchior fazia do jantar indignou-o um momento: no fim, não havia que estranhar, pensou. Tinha-se combinado que, aparentemente, o Melchior lhe dava o jantar, a ele, Artur. Decerto, ao outro dia, uma notícia circunstanciada explicaria a intenção da festa, e as sensações da leitura. Ergueu-se mais cedo - e às nove horas, entrava no Tavares, com o coração a bater alto. A notícia enchia duas colunas; dizia:
O JANTAR LITERÁRIO DO UNIVERSAL
«O banquete do nosso colaborador Melchior foi uma verdadeira festa da Inteligência. No esplêndido salão do Hotel Universal achava-se reunido o que a Literatura, a Política e o "High-Life" têm de mais eminente: um "bouquet" de celebridades. Vimos o inspirado orador Carvalhosa, o brilhante poeta Roma, o estimado barítono Sarrotini, o social Padilhão, o espirituoso folhetinista Xavier, esse Júlio Janin, o estudioso actor Cordeiro e o nosso redactor, o senhor Savedra.
O "menu" do jantar, elegantemente impresso em cartão acetinado, continha o que a culinária francesa tem inventado de "plus raffiné";[…]»
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