Rua das Janelas Verdes

Eça de Queirós — Os Maias: Episódios da Vida Romântica
Um momento caminharam em silêncio. Depois, na Rua das Janelas Verdes, o Alencar quis refrescar. Entraram numa pequena venda, onde a mancha amarela dum candeeiro de petróleo destacava numa penumbra de subterrâneo, alumiando o zinco húmido do balcão, garrafas nas prateleiras, e o vulto triste da patroa com um lenço amarrado nos queixos. Alencar parecia íntimo no estabelecimento: apenas soube que a s… ver mais

Additional Excerpts

Castro Gomes desdobrou o papel, e revirou-o um instante entre os dedos. - Como Vossa Excelência vê, é a carta anónima em todo o seu horror: papel de mercearia, pautadinho de azul; caligrafia reles; tinta reles; cheiro reles. Um documento odioso. E aqui está como ele se exprime: «Um homem que teve a honra de apertar a mão de Vossa Excelência - eu dispensava a honra... - que teve a honra de apertar a mão de Vossa Ecelência e de apreciar o seu cavalheirismo, julga dever preveni-lo que sua mulher é, à vista de toda a Lisboa, a amante dum rapaz muito conhecido aqui, Carlos Eduardo da Maia, que vive numa casa às Janelas Verdes, chamada o Ramalhete. Este herói, que é muito rico, comprou expressamente uma quinta nos Olivais, onde instalou a mulher de Vossa Excelência e onde a vai ver todos os dias, ficando às vezes, com escândalo da vizinhança, até de madrugada. Assim o nome honrado de Vossa Excelência anda pelas lamas da capital.» - É tudo o que diz a carta; e eu só devo acrescentar, porque o sei, que tudo quanto ela diz é incontestàvelmente exacto... O sr. Carlos da Maia é pois, pùblicamente, com conhecimento de toda a Lisboa, o amante dessa senhora.
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