Rua do Ouro / Rua Áurea
Eça de Queirós — Os Maias: Episódios da Vida Romântica
Carlos, que almoçara cedo, estava para sair no "coupé", e já de chapéu - quando Baptista veio dizer que o sr. Ega, desejando falar-lhe numa coisa grave, lhe pedia para esperar um instante. O sr. Ega ficara a fazer a barba.
Carlos pensou logo que se tratava da Cohen. Havia duas semanas que ela chegara a Lisboa, Ega ainda a não vira, e falava dela raramente. Mas Carlos sentia-o nervoso e desassosseg…
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Additional Excerpts
Por fim, tal qual como fizera o Machado, agarrou vivamente no chapéu e abalou do escritório. Ia tão estonteado, que só na Rua do Ouro se lembrou que não fechara a porta à chave. Voltou atrás, e isto pareceu pôr alguma ordem nas suas ideias.
Ao fim da Rua do Ouro o "coupé" parou num embaraço de carroças, e Luísa viu no passeio ao lado o Castro, o Castro dos óculos, o banqueiro, o que Leopoldina lhe dizia que «tinha uma paixão por ela»: um rapazito roto oferecia-lhe cautelas; […]
O trem partiu enfim. O Rossio reluzia ao sol: do americano, parado à esquina, gente descia apressada, de calças brancas, vestidos leves, vinda de Belém, de Pedrouços: pregões cantavam. - Todos ali ficavam nas suas famílias, nas suas felicidades, só ela partia!
Na Rua Ocidental, viu vir a D. Camila - uma senhora casada com um velho, ilustre pelos seus amantes. […]
O trem parou à porta do «Paraíso», era meio-dia.
- Quem é o seu tabelião, Dâmaso?
- O Nunes, na Rua do Ouro... Porquê?
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