Campo Grande
Eça de Queirós — O Primo Basílio
O "coupé" entrou a passo no Campo Grande. Basílio ergueu os estores; um ar mais vivo penetrou. O sol caía sobre o arvoredo, trespassando-o de uma luz faiscante, formando no chão poeirento e branco sombras quentes de ramagens. Tudo tinha em redor um aspecto ressequido e exausto. Na terra gretada, a erva curta, crestada, fazia tons cinzentos. Na estrada, ao lado, arrastava-se uma poeira amarelada. S…
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Additional Excerpts
Nesse momento, em redor, romperam exclamações de troça: era um cavalo solitário que chegava, num galope pacato, passava a meta sem se apressar, como se descesse uma avenida do Campo Grande numa tarde de domingo. E em redor perguntava-se que corrida era aquela dum cavalo só - quando ao longe, como saindo da claridade loura do sol que descia sobre o rio, apareceu uma pobre pileca branca, empurrando-se, arquejando, num esforço doloroso, sob as chicotadas atarantadas dum jóquei de roxo e preto. Quando ela chegou, enfim, já o outro "gentleman-rider" voltara da meta, a passo, pachorrentamente, - e estava conversando com os amigos, encostado à corda da pista.
Todo o mundo ria. E a corrida do Prémio d’El-Rei terminou assim, grotescamente.
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