Rio Ave
Ramalho Ortigão — As Praias de Portugal
O rio Ave serpenteia pelas páginas de "A Brasileira de Prazins" (1882) como artéria vital do Minho que Camilo Castelo Branco conhecia intimamente. Nesta novela da maturidade, o grande mestre do romantismo português entrelaça paixão, tragédia social e a observação mordaz de uma época em transformação.
A história de José Dias, o jovem pobre que regressa enriquecido do Brasil, e seu a… ver maisA uma hora do Porto pelo caminho de ferro da Povoa, cuja linha é cortada por entre espessos pinheirais, Vila do Conde descobre-se repentinamente, numa volta de estrada, no meio de uma vasta paisagem, ampla, descoberta, de larga respiração. Ao penetrar na ponte que une duas colinas, ao nascente da vila, o viajante vê diante de si, ao longe, as montanhas de Rates, aos seus pés ondula o rio Ave por entre viçosas margens cobertas pela verdura suave dos pinhais. Ao meio do rio, entre a ponte de ferro e a vila, um açude. Em cada uma das margens, um velho moinho, musgoso, move lentamente a sua grande roda denegrida e gotejante. Assente sobre rocha, na margem esquerda do rio, sobranceiro á vila, o convento, grande edifício da Renascença francesa, tem um artístico aspecto, dominativo, senhorial, ostentando ao largo sol, sobre a cimalha, junto de uma monja com o habito
de Santa Clara, o grande elefante branco, simbolo da castidade, que constitui o brasão do convento.
×