No sopé da serra do Louro, no município de Palmela, as Grutas Artificiais da Quinta do Anjo revelam um impressionante complexo funerário neolítico com quatro hipogeus escavados no calcário brando da Arrábida. Datadas entre 3200 e 2900 a.C., estas grutas serviram como local de enterramento coletivo para comunidades agropastoris durante aproximadamente 1500 anos.
Arquitetonicamente sing…
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No sopé da serra do Louro, no município de Palmela, as Grutas Artificiais da Quinta do Anjo revelam um impressionante complexo funerário neolítico com quatro hipogeus escavados no calcário brando da Arrábida. Datadas entre 3200 e 2900 a.C., estas grutas serviram como local de enterramento coletivo para comunidades agropastoris durante aproximadamente 1500 anos.
Arquitetonicamente singulares, cada gruta apresenta uma câmara circular de 4-5 metros de diâmetro, coberta por abóbada com claraboia central, antecâmara ovalada e corredor descendente. Os rituais funerários seguiam uma simbologia profunda: os mortos eram depositados em posição fetal, evocando o regresso ao ventre materno e um tributo à fertilidade.
O espólio arqueológico é extraordinário, incluindo pontas de seta em sílex e cobre, machados de pedra polida, placas de xisto, cerâmica e artefactos em calcário e osso. Particularmente notáveis são as taças campaniformes 'tipo Palmela', decoradas com técnicas de pontilhado e incisão, que tornaram este sítio internacionalmente reconhecido.
Classificado como Monumento Nacional em 1934, o local oferece um olhar único sobre as práticas funerárias e culturais das primeiras comunidades agrícolas da Península Ibérica.
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