A Igreja de Santa Leocádia conta-se entre as mais antigas da região de Chaves, com construção que deverá rondar os finais do século XIII, documentada desde 1264 em menção régia. Seguindo modelo tipológico característico da arquitectura românica, compõe-se de nave relativamente curta a que se adossa capela-mor rectangular. A qualidade do programa original está patente na janela nascente da cabec…
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A Igreja de Santa Leocádia conta-se entre as mais antigas da região de Chaves, com construção que deverá rondar os finais do século XIII, documentada desde 1264 em menção régia. Seguindo modelo tipológico característico da arquitectura românica, compõe-se de nave relativamente curta a que se adossa capela-mor rectangular. A qualidade do programa original está patente na janela nascente da cabeceira, em arco levemente apontado de dupla moldura enxaquetada, intradorso decorado com motivos geométricos e assente em colunelos ornamentados com pequenas máscaras humanas.
No final da Idade Média, o interior foi enriquecido com impressionante composição mural organizada em painéis de dois andares. Estudos de Pilar Hespanhol e José Nunes revelam que o pintor, oriundo de Coimbra, utilizou gravuras de Wohlgemut, importante gravador quatrocentista de Nuremberga. O produto final situa-se no século XVI, como indica a presença de grotescos renascentistas típicos da época, também visíveis nos frescos de Vila Marim. A figura de São Cristóvão na nave possui notável qualidade plástica, portando manto de decoração cuidada imitando brocado, contrapondo-se com a figura do Menino no ombro, de traço menos elaborado.
Na segunda metade de Quinhentos ampliou-se a nave, e nos dois séculos seguintes realizaram-se retábulos de talha dourada e policroma maneiristas e barrocos. Em 1727, conforme indica inscrição no janelão da fachada, procedeu-se a alteração da frontaria. Restauro recente, com contributo da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, identificou muro romano, provando vitalidade de povoamento desde a antiguidade.
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