A Igreja de Outeiro Seco constitui uma das mais originais igrejas tardo-românicas da zona de Chaves, refletindo o foco arquitectónico relativamente homogéneo gerado em torno da antiga Acquae Flaviae na viragem do século XIII. As primeiras referências documentais datam de 1235, atestando a segura existência do templo por essa altura, adaptado construtivamente às escassas condições financeiras da…
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A Igreja de Outeiro Seco constitui uma das mais originais igrejas tardo-românicas da zona de Chaves, refletindo o foco arquitectónico relativamente homogéneo gerado em torno da antiga Acquae Flaviae na viragem do século XIII. As primeiras referências documentais datam de 1235, atestando a segura existência do templo por essa altura, adaptado construtivamente às escassas condições financeiras da região naquela época: nave única curta e capela-mor quadrangular, coberta por tecto de madeira.
O portal principal revela a parcela mais interessante, com abertura a modelos proto-góticos embora utilize esquema de volta perfeita. As duas arquivoltas profusamente ornamentadas assentam sobre dois pares de colunas com capitéis de decoração vegetalista, antropomórfica e zoomórfica. Na capela-mor, a fresta do topo exibe exteriormente arco de volta quebrada decorado com bolas, assente sobre duas colunas com capitéis ornados de folhagens e motivos zoomórficos, apresentando na base ornato enxaquetado. Todo o conjunto é percorrido por cachorrada notável com representações faciais humanas, animais, rolos e bolas.
No final da Idade Média registaram-se alterações, incluindo pinturas murais datadas de 1535, parte das quais foram removidas para o IPCR e museus de Soares dos Reis e Alberto Sampaio devido a riscos de preservação. A última grande fase de obras ocorreu no século XVIII, conforme atesta inscrição de 1767 no arco triunfal. A partir de 1937, a DGEMN empreendeu projecto integral de restauro, consolidando este testemunho singular da arquitectura românica transmontana que mantém viva a memória da primitiva organização eclesiástica da região flaviense.
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