Na vila de Montemor-o-Novo, uma lápide romana do século II d.C. revela histórias complexas de memória e identidade. Esculpida em mármore branco de Estremoz, a inscrição latina ocupa três placas retangulares dispostas horizontalmente, atualmente integradas no muro fronteiro à Câmara Municipal.
A placa central regista a memória de Calchisia, uma figura proeminente da província da Lusitâ…
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Na vila de Montemor-o-Novo, uma lápide romana do século II d.C. revela histórias complexas de memória e identidade. Esculpida em mármore branco de Estremoz, a inscrição latina ocupa três placas retangulares dispostas horizontalmente, atualmente integradas no muro fronteiro à Câmara Municipal.
A placa central regista a memória de Calchisia, uma figura proeminente da província da Lusitânia, possivelmente uma sacerdotisa ou elemento de família influente. A inscrição menciona relações familiares detalhadas, incluindo referências a filhos, netos e uma mãe chamada Leonica.
Séculos depois, no período visigótico (século VII), uma nova inscrição foi adicionada às laterais da lápide, marcando a sobreposição de culturas e narrativas históricas. Um elemento particularmente interessante é a gravação de uma groma - um instrumento de agrimensura romano - na face direita, símbolo técnico que documenta práticas de medição e construção da época.
Originalmente descoberta por D. Martinho de Mascarenhas nas suas propriedades em Mértola, a lápide transitou posteriormente para a Igreja Matriz de Santa Maria do Bispo, antes de chegar à sua localização atual em 1850.
Este artefacto único permite aos visitantes vislumbrar camadas de história local, desde a ocupação romana até ao período visigótico, através de uma peça epigráfica que preserva memórias familiares e práticas culturais de diferentes épocas.
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