Junto à torre sineira quinhentista que marca presença religiosa desde o século XVI, ergue-se a Capela de Nossa Senhora da Conceição de Alpedrinha, envolta em incertezas e lendas relacionadas com as Invasões Francesas. A torre, cuja edificação remonta ao século XVI e que poderá ter pertencido a templo anterior, eleva-se sobre base escalonada com escadaria de um só lanço permitindo acesso às si…
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Junto à torre sineira quinhentista que marca presença religiosa desde o século XVI, ergue-se a Capela de Nossa Senhora da Conceição de Alpedrinha, envolta em incertezas e lendas relacionadas com as Invasões Francesas. A torre, cuja edificação remonta ao século XVI e que poderá ter pertencido a templo anterior, eleva-se sobre base escalonada com escadaria de um só lanço permitindo acesso às sineiras. Dois arcos de volta perfeita com friso correspondente às impostas abrem-se sobre cornija do embasamento, rematados por cinco pináculos, destacando-se o central com cruz sobre base cúbica.
A linguagem arquitectónica e decorativa da capela sugere edificação setecentista, embora o portal principal exiba inscrição com ano de 1858. O testamento de D. Marta Taborela Carvalho Freire, datado de 1867 e aberto em 1872, refere a capela como obra instituída e patrocinada pelo seu marido, sugerindo que a uma edificação setecentista sobrevieram acrescentos ou modificações em 1858, altura em que terá sido colocado o brasão sobre o portal assinalando pertença familiar.
A fachada de planta longitudinal revela absorção de novas tendências estilísticas com elementos barrocos, rococós e neoclássicos. Duas pilastras laterais de capitéis toscanos da ordem colossal suportam entablamento e cornija interrompidos no pano central. Os panos laterais cegos e o central rasgado por vãos com modinaturas elaboradas compõem almofadados, espaldares curvas, cornijas contracurvadas, querubins e motivos vegetalistas. O remate em frontão de lanços contracurvado formado por aletas de segmentos curvos interrompidos pela cruz coroa o pano central aberto por portal em arco abatido exibindo brasão no tímpano que se liga à moldura do janelão superior de frontão curvo.
O interior de nave única com coro alto de perfil contracurvado e interessante guarda balaustrada antecede capela-mor mais estreita. Dois retábulos laterais tardo-barrocos dedicados a São Francisco e Santo António — maiores protectores da Imaculada Conceição, orago do templo — misturam elementos vegetalistas de inspiração neoclássica com persistências barrocas de inspiração borromínica. O arco triunfal de volta perfeita acede à capela-mor com retábulo de talha tardo-barroco de planta recta e três eixos com tratamento erudito rematado por frontão triangular.
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