No cabeço cónico de Lesanho, sobranceiro à Ribeira do Corgo a 1073 metros de altitude, é possível observar um dos mais notáveis povoados fortificados da Península Ibérica. Com aproximadamente 9 hectares e notável destaque visual, este castro da segunda Idade do Ferro (finais do século II a.C.) manteve ocupação até ao século VII d.C., época romana, com possíveis vestígios desde a Idade do Bronze…
ver mais
No cabeço cónico de Lesanho, sobranceiro à Ribeira do Corgo a 1073 metros de altitude, é possível observar um dos mais notáveis povoados fortificados da Península Ibérica. Com aproximadamente 9 hectares e notável destaque visual, este castro da segunda Idade do Ferro (finais do século II a.C.) manteve ocupação até ao século VII d.C., época romana, com possíveis vestígios desde a Idade do Bronze Final. Jorge Alarcão sugere tratar-se da sede de um populus, eventualmente os Equaesi.
O complexo sistema defensivo impressiona pelas características monumentais: três cercas graníticas concêntricas de aparelho irregular poligonal com espessuras entre 1,70 e 2,90 metros, complementadas por linhas radiais, torreões e conjuntos de pedras fincadas defendendo as entradas. Na encosta norte, de menores condições naturais de defesa, ergueram-se duas linhas adicionais de muralha. No espaço entre muralhas subsistem alicerces de construções habitacionais de planta circular sobre plataformas artificiais, além de oficina metalúrgica onde escórias revelaram presença predominante de estanho e volfrâmio.
A notoriedade do Castro de Lesanho associa-se particularmente ao maior conjunto conhecido de estátuas de guerreiro galaicas, presumivelmente colocadas junto às entradas nas muralhas. Identificadas desde o século XVIII — quando duas foram mobilizadas para o adro da Igreja de Covas do Barroso —, encontram-se actualmente no Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa, reforçando a convicção de que Lesanho representava lugar central na organização territorial proto-histórica regional.
ver menos