No cimo do Monte da Esperança, sobranceiro à margem ocidental de Coimbra, o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova eleva-se majestoso como santuário da Rainha Santa Isabel, cujo corpo incorrupto repousa no retábulo-mor. Construído entre 1649 e finais do século XVIII para substituir o insalubre Santa Clara-a-Velha, o complexo impõe-se na paisagem através de caminho íngreme pontuado por capelas da Via Sa…
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No cimo do Monte da Esperança, sobranceiro à margem ocidental de Coimbra, o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova eleva-se majestoso como santuário da Rainha Santa Isabel, cujo corpo incorrupto repousa no retábulo-mor. Construído entre 1649 e finais do século XVIII para substituir o insalubre Santa Clara-a-Velha, o complexo impõe-se na paisagem através de caminho íngreme pontuado por capelas da Via Sacra, evocando monte santo e percurso ascendente de sacrifício.
A primeira pedra foi lançada a 3 de Julho de 1649, segundo planta de Frei João Turriano, engenheiro-mor do Reino e lente de Matemática na Universidade de Coimbra. As obras do templo, dirigidas pelo arquiteto régio Mateus do Couto, foram sagradas em 1696, prolongando-se construção de claustro, portaria e aqueduto até finais de Setecentos. O túmulo gótico da Rainha Santa, obra-prima executada por mestre Pero cerca de 1330, foi trasladado do antigo mosteiro.
As fachadas sóbrias de linhas maneiristas exibem pilastras de ordem colossal romana que descarregam peso das abóbadas interiores, rasgadas por janelas em capialço.
A igreja de planta rectangular simples revela unidade decorativa impressionante: catorze retábulos de talha dourada com baixos-relevos narram episódios da vida de oragos franciscanos, culminando no retábulo-mor nacional de 1614, encomendado por D. Afonso de Castelo Branco e executado por Domingos Lopes com colaboração de Manuel Moreira. Os retábulos da nave, delineados por Mateus do Couto e executados por António Gomes e Domingos Nunes em 1692, enquadram-se em cinco tramos separados por pilastras dóricas.
Os coros sobrepostos, com mesmas dimensões da nave, revelam profusa decoração de pinturas murais e estruturas retabulares de várias épocas, incluindo azulejos hispano-mouriscos e tábuas quinhentistas do primitivo Santa Clara-a-Velha. Dois órgãos com caixas acharoadas decoradas a ouro pontuam os espaços. O claustro quadrado de dois pisos, tradicionalmente atribuído a Carlos Mardel no superior e a Manuel do Couto e Custódio Vieira no inferior, conjuga arcadas maneiristas com solução teatral barroca nos ângulos arredondados por fontes decoradas simbolizando os quatro rios.
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