Na serra de Montejunto, no município do Cadaval, encontra-se a Real Fábrica do Gelo, um complexo industrial único em Portugal que revela a engenhosidade da produção de gelo no século XVIII. Construída por volta de 1741, provavelmente por frades dominicanos, a fábrica respondia à crescente procura de gelo em Lisboa por parte da nobreza, burguesia e população em geral.
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Na serra de Montejunto, no município do Cadaval, encontra-se a Real Fábrica do Gelo, um complexo industrial único em Portugal que revela a engenhosidade da produção de gelo no século XVIII. Construída por volta de 1741, provavelmente por frades dominicanos, a fábrica respondia à crescente procura de gelo em Lisboa por parte da nobreza, burguesia e população em geral.
O complexo divide-se em três áreas fundamentais: extração de água, produção de gelo e armazenamento. Composto por dois poços, um tanque principal e 44 tanques rasos dispostos em três patamares, o sistema aproveitava as baixas temperaturas noturnas para congelar água naturalmente. Durante o processo, um guarda a cavalo acordava os trabalhadores da aldeia de Pragança antes do nascer do sol para partir e transportar o gelo para os silos.
O transporte do gelo até Lisboa era uma operação complexa: primeiro em lombos de burros, depois em carroças até à Vala do Carregado e, finalmente, em 'barcos da neve' pelo rio Tejo. A atividade terminou em 1885, com o surgimento do gelo industrializado.
Classificada como Monumento Nacional em 1997, a fábrica conserva elementos arquitetónicos originais que testemunham os métodos de produção e conservação de gelo de uma época.
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