O Moinho de Maré da Torre, situado na margem esquerda do rio Coina, no Seixal, é um exemplar singular da engenharia industrial portuguesa dos séculos XV a XVIII. Construído originalmente pelos frades do Convento do Carmo, o moinho integra um sistema de aproveitamento das marés para moagem de cereais, técnica desenvolvida inicialmente em França no século XII.
A estrutura compõe-se de d…
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O Moinho de Maré da Torre, situado na margem esquerda do rio Coina, no Seixal, é um exemplar singular da engenharia industrial portuguesa dos séculos XV a XVIII. Construído originalmente pelos frades do Convento do Carmo, o moinho integra um sistema de aproveitamento das marés para moagem de cereais, técnica desenvolvida inicialmente em França no século XII.
A estrutura compõe-se de dois corpos rectangulares: um para moagem e outro para habitação do moleiro, assentes sobre um robusto embasamento de cantaria. No seu interior, oito casais de mós eram movimentados pela água do estuário do Tejo através de um engenhoso mecanismo de comportas. Durante a maré cheia, a água era retida e, na baixa-mar, libertada progressivamente, fazendo girar os rodízios.
Após significativas reconstruções, nomeadamente após o terramoto de 1755 - possivelmente sob orientação do arquiteto Mateus Vicente de Oliveira - o moinho mantém a traça original. Integra o núcleo de dez moinhos de maré conservados no Seixal, que no século XVI chegaram a totalizar 60 unidades de moagem.
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