Na região de Cascais, o cemitério de Alcoitão revela os vestígios de uma comunidade da Antiguidade Tardia, entre os séculos IV e VII, período marcado pela transição do domínio romano para o visigótico. Descoberto no final do século XIX pelo geólogo Francisco de Paula Oliveira, o sítio arqueológico apresenta 37 sepulturas cuidadosamente organizadas em sete filas, orientadas de poente a nascente.…
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Na região de Cascais, o cemitério de Alcoitão revela os vestígios de uma comunidade da Antiguidade Tardia, entre os séculos IV e VII, período marcado pela transição do domínio romano para o visigótico. Descoberto no final do século XIX pelo geólogo Francisco de Paula Oliveira, o sítio arqueológico apresenta 37 sepulturas cuidadosamente organizadas em sete filas, orientadas de poente a nascente.
As sepulturas, maioritariamente construídas com lajes de calcário e cobertas por tampas, mostram práticas funerárias complexas, com alguns túmulos a conterem múltiplas inumações. Os objetos encontrados - anéis, brincos e recipientes cerâmicos - oferecem um olhar íntimo sobre a vida quotidiana desta comunidade.
Os estudos antropológicos revelaram características interessantes: os indivíduos tinham estaturas ligeiramente inferiores à população atual, sugerindo uma população 'visigotizada' mais do que estritamente visigótica. A necrópole reflete uma continuidade cultural local, marcada por influências centro-europeias, num momento de profundas transformações sociais e políticas na Península Ibérica.
Localizada próxima de Lisboa, esta necrópole constitui um importante registo arqueológico que permite compreender as dinâmicas populacionais e culturais de Cascais durante a transição entre a Antiguidade e a Alta Idade Média.
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