Sé de Leiria

Eça de Queirós — O Crime do Padre Amaro
Eram quase nove horas, a noite cerrara. Em redor da Praça as casas estavam já adormecidas; das lojas debaixo da Arcada saía a luz triste dos candeeiros de petróleo, entreviam-se dentro figuras sonolentas, caturrando em cavaqueira, ao balcão. As ruas que vinham dar à Praça, tortuosas, tenebrosas, com um lampião mortiço, pareciam desabitadas. E no silêncio o sino da Sé dava vagarosamente o toque das… ver más

Additional Excerpts

- E é longe da Sé? - perguntou Amaro. - Dois passos. […] Aqui tem você a sua rua. Era estreita, de casas baixas e pobres, esmagada pelas paredes da velha Misericórdia, com um lampião lúgubre ao fundo. - E aqui tem você o seu palácio! - disse o cónego, batendo na aldraba de uma porta esguia. No primeiro andar duas varandas de ferro, de aspecto antigo, faziam saliência, com os seus arbustos de alecrim, que se arredondavam aos cantos em caixas de madeira; as janelas de cima, pequeninas, eram de peitoril; e a parede, pelas suas irregularidades, fazia lembrar uma lata amolgada.
×