Rua dos Condes

Eça de Queirós — Os Maias: Episódios da Vida Romântica
Tinha o amigo Craft visto já alguém com remorsos? Não, a não ser no teatro da Rua dos Condes, em dramalhões…

Additional Excerpts

O marquês insistia, plantado diante dele, de taco ao ombro como uma vara de campino, dominando-o com a sua maciça, desempenada estatura. E ameaçava-o de destinos medonhos numa voz possante habituada a ressoar nas lezírias; queria-o arruinar ao bilhar, forçá-lo a empenhar aqueles belos anéis, levá-lo ele, ministro da Finlândia e representante duma raça de reis fortes, a vender senhas à porta da Rua dos Condes!
Depois falou-se do duelo do Azevedo da «Opinião» com o Sá Nunes, autor de «El-Rei Bolacha», a grande mágica da Rua dos Condes, e ùltimamente ministro da Marinha: tinham-se tratado furiosamente nos jornais de "pulhas" e de "ladrões": e havia dez intermináveis dias que estavam desafiados e que Lisboa, em pasmaceira, esperava o sangue. Cruges ouvira que Sá Nunes não se queria bater, por estar de luto por uma tia; dizia-se também que o Azevedo partira precipitadamente para o Algarve. Mas a verdade, segundo Vilaça, era que o ministro do Reino, primo do Azevedo, para evitar o recontro, conservava a casa dos dois cavalheiros bloqueada pela polícia…
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