Santos-o-Velho

Eça de Queirós — Os Maias: Episódios da Vida Romântica
Ega, em suma, concordava. Do que ele principalmente se convencera, nesses estreitos anos de vida, era da inutilidade do todo o esforço. Não valia a pena dar um passo para alcançar coisa alguma na terra - porque tudo se resolve, como já ensinara o sábio do «Eclesiastes», em desilusão e poeira. - Se me dissessem que ali em baixo estava uma fortuna como a dos Rothschilds ou a coroa imperial de Carlos… ver más

Additional Excerpts

À noite, o primeiro dos velhos amigos a aparecer foi D. Diogo, solene, de casaca. Encostado ao Ega, aterrado diante do caixão, só pôde murmurar: «E tinha menos sete meses que eu!» O marquês veio já tarde, abafado em mantas, trazendo um grande cesto de flores. Craft e o Cruges nada sabiam, tinham-se encontrado na Rampa de Santos; - e receberam a primeira surpresa ao ver fechado o portão do Ramalhete. O último a chegar foi o Sequeira, que passara o dia na quinta, e se abraçou em Carlos, depois no Craft ao acaso, entontecido, com uma lágrima nos olhos injectados, balbuciando: «Foi-se o companheiro de muitos anos. Também não tardo!...»
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