As macieiras cobriam-se de flor quando o papá chegou às veigas suaves de Entre Minho e Lima; e logo nesse Julho conheceu um cavalheiro de Lisboa, o comendador G. Godinho, que estava passando o Verão com duas sobrinhas, junto ao rio, numa quinta chamada o Mosteiro, antigo solar dos condes de Lindoso. A mais velha destas senhoras, D. Maria do Patrocínio, usava óculos escuros, e vinha todas as manhãs…
ver más
As macieiras cobriam-se de flor quando o papá chegou às veigas suaves de Entre Minho e Lima; e logo nesse Julho conheceu um cavalheiro de Lisboa, o comendador G. Godinho, que estava passando o Verão com duas sobrinhas, junto ao rio, numa quinta chamada o Mosteiro, antigo solar dos condes de Lindoso. A mais velha destas senhoras, D. Maria do Patrocínio, usava óculos escuros, e vinha todas as manhãs da quinta à cidade, num burrinho, com o criado de farda, ouvir missa a Santana. A outra, D. Rosa, gordinha e trigueira, tocava harpa, sabia de cor os versos do «Amor e Melancolia», e passava horas, à beira da água, entre a sombra dos amieiros, rojando o vestido branco pelas relvas, a fazer raminhos silvestres.
O papá começou a frequentar o Mosteiro. Um guarda da Alfândega levava-lhe o violão; e enquanto o comendador e outro amigo da casa, o Margaride, doutor delegado, se embebiam numa partida de gamão, e D. Maria do Patrocínio rezava em cima o terço - o papá, na varanda, ao lado de D. Rosa, defronte da Lua, redonda e branca sobre o rio, fazia gemer no silêncio os bordões e dizia as tristezas do conde Ordonho.
ver menos