Junho 11. […] Partida às sete da manhã. Pouco adiante na margem direita do Coadouro. Acima onde o rio faz uma volta para nascente está assentada num teso a aldeia de Ortiga na margem direita. Desde Pombal olivedos: na baixa da Ortiga alguns campos de pequena cultura: defronte um pequeno tracto de margem chata e inculta. Saltamos em terra no sítio chamado os Postes onde o rio faz uma volta. Aquedut…
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Junho 11. […] Partida às sete da manhã. Pouco adiante na margem direita do Coadouro. Acima onde o rio faz uma volta para nascente está assentada num teso a aldeia de Ortiga na margem direita. Desde Pombal olivedos: na baixa da Ortiga alguns campos de pequena cultura: defronte um pequeno tracto de margem chata e inculta. Saltamos em terra no sítio chamado os Postes onde o rio faz uma volta. Aqueduto antigo em ruínas. Seguimos avante. Pego da Gavioa margens pedregosas e incultas com algumas raras oliveiras. Montes agrestes a curta distância das margens ou formando-as eles próprios. As anfractuosidades das margens cada vez mais proeminentes: xistos lamelados em ondas de forma singular: cachão do Rebate: é necessária grande destreza para romper o cachão que se precipita impetuoso. Foz da ribeira de Eiras. Começa o pego de Belver. Pouco adiante os montes divididos em cabeços altos e escarpados estreitam cada vez mais o rio triste e mal-assombrado. Na margem esquerda do pego as fontes sulfúreas da Fedagosa, onde os habitantes das cercanias vêm usar das águas: necessidade de construir aí uns banhos com residências pela agrura e solidão do sítio. As rochas marginais, quando avançamos no pego e nos aproximamos de Belver, tornam-se graníticas, desordenadas, colossais, sobretudo na margem esquerda, grande semelhança no aspecto com as imediações da Pena em Sintra. Caminha-se à sirga por certo espaço quase debaixo do castelo pela margem oposta, saltando os sirgadores como cabras de rocha em rocha. Nos cumes também rochedos entressachados de matos. Várias bulhas ou remoinhos neste sítio. Nos montes que antecedem o do castelo, pinhais, defronte na margem esquerda vinhas em anfiteatro. À raiz do monte do castelo várias pedras cavadas pelas águas imitando lavores góticos; continuam os remoinhos. Os pescadores sentados nas rochas imóveis e semelhando estátuas de Vixnu no templo de Elora. Desembarcamos no porto de Belver um pouco além do castelo. Belver já não é concelho: cólera da mulher porque lhe perguntei se já não era vila: pertence ao de Mação. Calçada íngreme e tortuosa que conduz do porto à povoação - boninas da encosta: o que deviam fazer os floristas. Praça e pelourinho antigo, hexágono liso com capitel e os quatro braços ou ganchos de ferro sobre três degraus circulares: aspecto pobre da povoação: fabrico de pólvora e sabão é grande segundo dizem. Da praça conduz outra subida íngreme ao castelo. É de forma quase circular bojando um pouco para o lado da entrada ladeada de duas torres quadradas, e três no resto da periferia: e todas mais ou menos arruinadas: a torre do centro também quadrada: dentro um subterrâneo: os andares abatidos: sobe-se ao alto com dificuldade. Panorama vastíssimo: vêem-se ao longe os montes de Portalegre e para todos os lados larga extensão quase toda de serranias. Para um vale interior à raiz do castelo, cultura de vinha, campos e arvoredos depois as solidões incultas. Soberbo efeito do vale do Tejo olhado quase à vista de pássaro da torre central. O rio parece, apesar das águas abundantes que ainda leva, um regato que se divisa a custo por meio de um longo cemitério de gigantes cujos túmulos se houvessem arruinado num terremoto violento. No castelo não há a menor inscrição. Na parede da cerca, junto à estrada pela face interior e pela exterior vêem-se gravados os seguintes sinais em diversas pedras do tamanho de pouco mais de meio palmo.
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