Junho 10. - Partimos às nove da manhã. As margens tornam-se mais rasas gradualmente. Cultura: oliveiras, algumas vinhas e terras de pão. (Quanto à vila e praça fica para a volta). Depois de meia légua tornam a altear-se não excessivamente: a cultura é sempre a mesma mas predominando cada vez mais os olivedos.
A légua e meia de Abrantes o rio começa a mostrar rochedos fora de água, as margens torna…
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Junho 10. - Partimos às nove da manhã. As margens tornam-se mais rasas gradualmente. Cultura: oliveiras, algumas vinhas e terras de pão. (Quanto à vila e praça fica para a volta). Depois de meia légua tornam a altear-se não excessivamente: a cultura é sempre a mesma mas predominando cada vez mais os olivedos.
A légua e meia de Abrantes o rio começa a mostrar rochedos fora de água, as margens tornam-se penhascosas: aparecem largos tractos de cabeços incultos, sente-se que se penetra num território cada vez mais agreste e rude. Chegada à Alvega. Desde o porto da Concavada até o de S. António da Alvega o rio corre por espaço de um quarto (?) de légua, torcido e rasgado por entre a penedia, as massas de água acumuladas nas gargantas das rochas correm, impetuosas, os declives rápidos que os nossos barcos só rompiam a custo com o vento violento que soprava do norte. Se não fosse este teríamos de caminhar à sirga com esforços inauditos saltando os barqueiros de pedra em pedra. Da margem direita começam a elevar-se serranias por trás das colinas, e ao longe avista-se uma montanha que chamam dos Bandos que parece um dos contrafortes da serra da Estrela. Da margem esquerda nas escarpadas dos montes vêem-se alguns bosques de sobreiros que vão terminar na Quinta do Pombal (debaixo do porto de S. António) espécie de éden à entrada do deserto. Ao longe avistam-se, formando o fundo do quadro, as serranias agrestes de Belver.
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