Sebastião de Mello, em quanto Rosa saboreava a impressão, chamava um gaiato que corria atraz d'um cavalleiro e entrava com elle n'uma porta.
- Espera... Vês aquella mulher de capote cor de pinhão e lenço branco?
- Sim, meu fidalgo.
- Segue-a e vê onde ella entra... Sabes lêr?
- Os letreiros das ruas e o numero das portas, sei, fidalgo.
- Toma de cór a casa onde a vires entrar e vem n'um pulo dizer…
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Sebastião de Mello, em quanto Rosa saboreava a impressão, chamava um gaiato que corria atraz d'um cavalleiro e entrava com elle n'uma porta.
- Espera... Vês aquella mulher de capote cor de pinhão e lenço branco?
- Sim, meu fidalgo.
- Segue-a e vê onde ella entra... Sabes lêr?
- Os letreiros das ruas e o numero das portas, sei, fidalgo.
- Toma de cór a casa onde a vires entrar e vem n'um pulo dizer-m'o á hospedaria Peninsular, rua do Arsenal, n.º 40.
- Bem sei meu senhor.
Meia hora depois chegava o gaiato.
- Viste?
- Entrou na rua do Carvalho, no Bairro Alto, n.º 87. Abriu a porta…
- Abriu a porta?!... Tu enganas-te ou me enganas.
- Raios me partam cego eu seja dos olhos ambos, e nada me corra direito, se isto não é verdade. Eu puz-me á sucapa dentro do portal do conde de Ficalho. A mulher chegou e abriu a porta da rua, fechou-a logo que se engazofilou e eu fui vêr o numero e puz-me na pireza...
- Estás bem certo que era na rua do Carvalho n.º 87?
- Mesmo defronte do quintal do conde de Ficalho á sua mão direita indo para cima.
O gaiato sahiu contentissimo da commissão.
Sebastião de Mello entrou n'uma sege e parou a pequena distancia da rua das Flores. Foi á porta n.º 10 e estava fechada. Com pouca espera chegou a snr.ª Rosa de Jesus, entrou, e apoz ella o generoso remunerador do seu trabalho.
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