Na região de Malpartida, próxima à ribeira das Alvercas, ergue-se uma necrópole única composta por 37 sepulturas escavadas na rocha, conhecida localmente como 'Nave do Moiro'. Este sítio arqueológico revela práticas funerárias complexas entre os séculos VI e XI, período de profundas transformações culturais no noroeste peninsular.
As sepulturas distribuem-se por um extenso afloramento…
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Na região de Malpartida, próxima à ribeira das Alvercas, ergue-se uma necrópole única composta por 37 sepulturas escavadas na rocha, conhecida localmente como 'Nave do Moiro'. Este sítio arqueológico revela práticas funerárias complexas entre os séculos VI e XI, período de profundas transformações culturais no noroeste peninsular.
As sepulturas distribuem-se por um extenso afloramento rochoso, apresentando maioritariamente formato retangular, com cerca de dois metros de comprimento e setenta centímetros de largura. Vinte e nove túmulos seguem a tipologia antropomórfica, com zona específica para deposição da cabeça, enquanto oito mantêm desenho mais antigo, sem esta característica.
A implantação sugere uma organização comunitária, possivelmente relacionada com núcleos familiares ou grupos sociais próximos. A ausência de espólio arqueológico associado dificulta datações precisas, mas os vestígios indicam uma transição entre práticas funerárias pré-cristãs e rituais associados à progressiva cristianização da região.
A concentração destas sepulturas no norte peninsular assinala uma tradição funerária específica, testemunhando as dinâmicas sociais e culturais de um período marcado por profundas mudanças territoriais e identitárias.
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