No centro da povoação de Algodres ergue-se um notável pelourinho quinhentista de gaiola octogonal, símbolo da autonomia municipal concedida pela renovação do foral manuelino de 1514. A vila, cujo povoamento foi promovido por D. Sancho I, recebera primeira carta de foral em 1311, consolidando estatuto que D. Manuel viria a confirmar três séculos depois. Alguns anos após a renovação foral, o se…
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No centro da povoação de Algodres ergue-se um notável pelourinho quinhentista de gaiola octogonal, símbolo da autonomia municipal concedida pela renovação do foral manuelino de 1514. A vila, cujo povoamento foi promovido por D. Sancho I, recebera primeira carta de foral em 1311, consolidando estatuto que D. Manuel viria a confirmar três séculos depois. Alguns anos após a renovação foral, o senhorio de Algodres, juntamente com Ínfias, Matança e Fornos de Algodres, foi doado por D. João III a D. António de Noronha, primeiro Conde de Linhares.
Talhado em cantaria de granito, o pelourinho assenta sobre soco de seis degraus octogonais, do qual se eleva coluna de fuste octogonal com base quadrangular de ângulos chanfrados, interrompida por anel e rematada por capitel simples de secção octogonal. Este é delimitado por anéis salientes decorados com meias esferas que funcionam como base da gaiola em forma de pirâmide invertida truncada — elemento arquitectónico característico dos pelourinhos manuelinos que distingue claramente esta tipologia.
O chapéu da gaiola, com formato semelhante à base, assenta sobre colunelo central liso ladeado por oito colunelos exteriores terminados em esfera, decorados com anéis na parte inferior e superior e consolidados por grampos de ferro. O conjunto é coroado por coruchéu ornado com anel decorado por meias esferas, criando ritmo vertical harmonioso que confere ao monumento elegância distintiva, testemunhando os privilégios municipais e a administração da justiça régia que caracterizaram a organização territorial manuelina.
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