O pelourinho que hoje se ergue no largo central da vila, junto aos Paços do Concelho, é um notável testemunho do revivalismo do século XX. Construído por iniciativa de Silva Leal, membro da Associação dos Arqueólogos Portugueses, este monumento não reproduz a tipologia medieval, mas antes evoca as picotas setecentistas que teriam sido erguidas entre finais de Quinhentos e o século XVIII, possivelm…
ver más
O pelourinho que hoje se ergue no largo central da vila, junto aos Paços do Concelho, é um notável testemunho do revivalismo do século XX. Construído por iniciativa de Silva Leal, membro da Associação dos Arqueólogos Portugueses, este monumento não reproduz a tipologia medieval, mas antes evoca as picotas setecentistas que teriam sido erguidas entre finais de Quinhentos e o século XVIII, possivelmente durante a época dos Marqueses de Távora.
A estrutura assenta sobre uma plataforma que vence o desnível do terreno, protegida por um elegante gradeamento decorativo. Dois degraus quadrangulares sustentam uma coluna cilíndrica e lisa, que se eleva com um singelo anelete na base. Próximo do topo, um filete circular relevado anuncia o capitel de chapa rasa, rematado por uma superfície curva. No centro, um pináculo encimado por bola confere verticalidade ao conjunto, num estilo que encontra paralelos em vários pelourinhos setecentistas, como o da Feira, em Viana do Castelo.
Mais do que um símbolo de justiça medieval, este pelourinho representa a valorização patrimonial do início do século passado, quando se procurava recuperar a memória dos antigos forais e da autonomia municipal. É um convite a compreender como cada época reinterpreta o seu património.
ver menos