Este convento franciscano é um notável exemplo de como a austeridade monástica seiscentista se encontrou com a exuberância decorativa do século XVIII. Organizado em torno de um claustro a norte da igreja, o conjunto arquitectónico apresenta uma sobriedade exterior característica da arquitectura chã, com fachadas despojadas onde apenas se destacam os vãos sem molduras. A igreja, ligada ao espaço co…
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Este convento franciscano é um notável exemplo de como a austeridade monástica seiscentista se encontrou com a exuberância decorativa do século XVIII. Organizado em torno de um claustro a norte da igreja, o conjunto arquitectónico apresenta uma sobriedade exterior característica da arquitectura chã, com fachadas despojadas onde apenas se destacam os vãos sem molduras. A igreja, ligada ao espaço conventual por uma galilé, revela maior cuidado decorativo, com molduras de cantaria e pináculos que coroam a torre sineira.
No interior, a austeridade franciscana da nave única, coberta por abóbada de berço, é dramaticamente subvertida pela decoração setecentista. A capela-mor transforma-se num espectáculo visual onde convivem pinturas murais de grotescos sobre fundos arquitetónicos perspectivados, painéis de azulejos com intrincadas molduras polícromas, e retábulos de talha dourada com colunas torsas envolvidas em folhas de acanto. Esta profusão decorativa documenta a evolução desde o Barroco joanino, ainda com ecos do chamado Estilo Nacional, até ao Rococó, patente nas asas de morcego, volutas e concheados do arco triunfal.
Raras simulações de azulejos pintados sobrevivem nas paredes da nave, testemunhando a busca por efeitos ilusionistas. Este convento ilustra magistralmente o encontro entre o espírito contemplativo franciscano e o gosto sumptuoso e teatral do Barroco português.
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