Nos limites da vila do Bombarral, a Capela de São Brás guarda séculos de memória e devoção. Edificada em meados do século XVI sobre uma ermida primitiva do início de Quatrocentos, preserva no seu interior o túmulo gótico de Luís Henriques, fidalgo da Casa de D. João I que recebeu a vila como recompensa pelos serviços prestados nas lutas contra Castela. A lápide com caracteres góticos recorda-o …
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Nos limites da vila do Bombarral, a Capela de São Brás guarda séculos de memória e devoção. Edificada em meados do século XVI sobre uma ermida primitiva do início de Quatrocentos, preserva no seu interior o túmulo gótico de Luís Henriques, fidalgo da Casa de D. João I que recebeu a vila como recompensa pelos serviços prestados nas lutas contra Castela. A lápide com caracteres góticos recorda-o como "um dos vinte a cavalo que ficaram em Lisboa" durante o cerco castelhano.
A simplicidade arquitetónica do edifício maneirista de nave única esconde tesouros notáveis. A galilé original, com três arcos redondos sobre pilastras, antecede o portal onde se encontra a imagem quinhentista do orago. No interior, azulejos de padrão seiscentistas em azul, amarelo e branco revestem integralmente as paredes, criando um enquadramento singular para o retábulo maneirista do altar-mor.
Este retábulo, em talha branca e dourada com colunas jónicas estriadas, apresenta notáveis semelhanças com obras atribuídas à oficina de Diogo Teixeira. As oito tábuas pintadas narram episódios da vida de São Brás, complementadas por cenas nas predelas e santos bispos no registo superior. Utilizada nas romarias anuais ao santo protetor, a capela permanece como testemunho vivo da história medieval portuguesa e da religiosidade popular.
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