Na margem direita do rio Sado, no concelho de Alcácer do Sal, ergue-se um dos mais importantes complexos oleiros romanos da Lusitânia. A olaria do Pinheiro, datada entre os séculos I e V, revela a complexa dinâmica industrial da região durante o período romano.
Implantada numa zona baixa e plana, próxima de um antigo braço fluvial, a olaria beneficiava de condições naturais ideais: ar…
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Na margem direita do rio Sado, no concelho de Alcácer do Sal, ergue-se um dos mais importantes complexos oleiros romanos da Lusitânia. A olaria do Pinheiro, datada entre os séculos I e V, revela a complexa dinâmica industrial da região durante o período romano.
Implantada numa zona baixa e plana, próxima de um antigo braço fluvial, a olaria beneficiava de condições naturais ideais: argilas de excelente qualidade, madeira abundante e fácil acesso ao rio. Os cinco fornos identificados demonstram uma notável diversidade morfológica, produzindo ânforas, cerâmica comum, materiais de construção e tampas.
O complexo divide-se em dois períodos principais de prosperidade: o Alto Império (meados do século I ao final do século II), marcado pela produção da ânfora Dressel 14, e o Baixo Império (meados do século III à primeira metade do século V), caracterizado pela ânfora Almagro 51c.
Destaca-se a descoberta de uma 'cozinha' comunitária, indiciando que os oleiros se estabeleciam sazonalmente no local. A produção estava intimamente ligada às unidades de preparação de peixe de Tróia, fornecendo recipientes para transportar salgas e molhos.
Os vestígios arqueológicos, que se estendem por 350 metros, oferecem um olhar único sobre a organização industrial romana no vale do Sado.
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