Em pleno Baixo Sado, entre Alcácer do Sal e Setúbal, ergue-se Abul, um sítio arqueológico que testemunha mais de oito séculos de ocupação humana. Fundado por navegadores fenícios em meados do século VII a.C., o estabelecimento aproveitava a posição estratégica junto ao rio, num território rico em recursos naturais como o sal e o peixe.
A primeira fase de ocupação caracteriza-se por um…
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Em pleno Baixo Sado, entre Alcácer do Sal e Setúbal, ergue-se Abul, um sítio arqueológico que testemunha mais de oito séculos de ocupação humana. Fundado por navegadores fenícios em meados do século VII a.C., o estabelecimento aproveitava a posição estratégica junto ao rio, num território rico em recursos naturais como o sal e o peixe.
A primeira fase de ocupação caracteriza-se por uma estrutura amuralhada com cerca de 1,5 metros de largura, com acesso através de uma torre retangular. No interior, as construções organizavam-se em torno de um pátio central, todas com planta retangular. Os artefactos descobertos revelam intensas trocas comerciais: ânforas de Rachgoun para transportar conservas de peixe, cerâmica de engobe vermelho e cinzenta, provavelmente originária de Gadir.
Numa segunda fase, os ocupantes alargaram o espaço interno, redesenhando os limites do complexo. Entre os séculos I e III d.C., o local acolheu um forno de produção de ânforas tipo Dressel 14, transformando-se num importante centro de transformação e comércio marítimo.
A riqueza arqueológica de Abul oferece um olhar único sobre as dinâmicas comerciais e culturais que moldaram o território português durante a Idade do Ferro e período Romano.
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