O Castro do Monte Castêlo, situado na margem esquerda do rio Leça, próximo da sua foz, é um dos sítios arqueológicos mais importantes do norte de Portugal. Este povoado fortificado, datado do primeiro milénio a.C., revela uma ocupação humana prolongada que se estende desde a Idade do Ferro até ao período romano e medieval.
Estrategicamente implantado numa elevação sobranceira ao antig…
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O Castro do Monte Castêlo, situado na margem esquerda do rio Leça, próximo da sua foz, é um dos sítios arqueológicos mais importantes do norte de Portugal. Este povoado fortificado, datado do primeiro milénio a.C., revela uma ocupação humana prolongada que se estende desde a Idade do Ferro até ao período romano e medieval.
Estrategicamente implantado numa elevação sobranceira ao antigo estuário do Leça, o castro era um centro comercial crucial. As escavações arqueológicas revelaram três linhas de muralhas defensivas e diversos núcleos habitacionais, com construções de planta circular e retangular, organizados em bairros interligados por ruas lajeadas.
Os vestígios arqueológicos demonstram contactos comerciais intensos com o sul da Península Ibérica e o mundo mediterrânico. Foram encontrados materiais diversificados como cerâmicas, ânforas, lucernas, objetos em vidro, ferramentas agrícolas e elementos que comprovam atividade metalúrgica local.
Na plataforma superior, os arqueólogos identificaram estruturas que sugerem a existência de um templo romano e um possível santuário com motivos decorativos de serpentes. No século V, o povoado mantinha ainda conexões comerciais com o norte de África, como atestam as cerâmicas tunisinas encontradas.
O castro foi abandonado em data indeterminada após o século V, ressurgindo nos séculos IX-X como uma pequena fortificação, provavelmente construída em madeira.
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