O Palacete da Rua Jau, situado no Alto de Santo Amaro em Lisboa, é um notável exemplo da arquitetura residencial eclética do início do século XX. Construído por José Luís Constantino, Marquês de Vale Flor, o edifício traduz o estatuto de uma burguesia endinheirada que se afirmava através da arquitetura.
Com projeto inicialmente atribuído ao arquiteto Nicolau Bigaglia e posteriormente …
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O Palacete da Rua Jau, situado no Alto de Santo Amaro em Lisboa, é um notável exemplo da arquitetura residencial eclética do início do século XX. Construído por José Luís Constantino, Marquês de Vale Flor, o edifício traduz o estatuto de uma burguesia endinheirada que se afirmava através da arquitetura.
Com projeto inicialmente atribuído ao arquiteto Nicolau Bigaglia e posteriormente acompanhado por José Ferreira da Costa, o palacete desenvolve-se em três pisos, organizando-se em torno de um jardim de inverno central. As fachadas neo-clássicas revelam pormenores arquitetónicos cuidados, como a entrada sul com colunata e varanda, e a entrada este com escadaria de balaustradas onde figura o brasão do marquês.
O interior surpreende pela riqueza decorativa, combinando elementos barrocos, clássicos e neo-rococó. Destacam-se os estuques policromados, pinturas decorativas, pavimentos em madeira exótica e duas salas com baixos-relevos dourados. Curiosamente, o palacete nunca foi habitado pela família do marquês e permaneceu vazio durante décadas, tendo servido inclusivamente como cenário para produções cinematográficas.
Atualmente, após profunda recuperação, o palacete integra o conjunto arquitetónico classificado como elemento de interesse patrimonial, testemunhando um período de transformação urbana e social de Lisboa.
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