No coração do Alto Algarve Oriental, o povoado do Cerro do Castelo de Santa Justa oferece um olhar fascinante sobre a vida comunitária durante o Calcolítico, no terceiro milénio antes de Cristo. Estrategicamente implantado num local que controlava os acessos a um afluente da ribeira da Foupana, este sítio arqueológico revela a complexidade das primeiras sociedades organizadas da região.
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No coração do Alto Algarve Oriental, o povoado do Cerro do Castelo de Santa Justa oferece um olhar fascinante sobre a vida comunitária durante o Calcolítico, no terceiro milénio antes de Cristo. Estrategicamente implantado num local que controlava os acessos a um afluente da ribeira da Foupana, este sítio arqueológico revela a complexidade das primeiras sociedades organizadas da região.
A sua estrutura defensiva impressiona: uma muralha elípsoide de grauvaque com nove torres maciças, uma das quais ainda preserva elementos significativos. No interior do perímetro, encontram-se vestígios de habitações circulares e ovais, testemunhando os modos de vida deste período.
Os artefactos descobertos entre 1979 e 1986 documentam uma comunidade tecnologicamente avançada: ferramentas em pedra lascada, machados, cerâmica elaborada, e evidências de metalurgia do cobre. Objectos rituais como os 'ídolos de cornos' sugerem práticas culturais complexas, inseridas no contexto da 'Revolução dos Produtos Secundários', um momento crucial de transformação social e económica.
O sítio permite compreender como as primeiras comunidades do Algarve desenvolveram redes de povoamento e estabeleceram trocas regionais, marcando o início de sociedades mais organizadas e especializadas.
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