O Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, situado na margem esquerda do rio Mondego em Coimbra, conta uma história fascinante de resiliência arquitetónica e transformação religiosa. Fundado em 1283 por Dona Mor Dias, o mosteiro inicial enfrentou desde logo desafios: os cónegos de Santa Cruz contestaram a sua existência, levando à sua extinção temporária.
A Rainha Santa Isabel refundou o most…
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O Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, situado na margem esquerda do rio Mondego em Coimbra, conta uma história fascinante de resiliência arquitetónica e transformação religiosa. Fundado em 1283 por Dona Mor Dias, o mosteiro inicial enfrentou desde logo desafios: os cónegos de Santa Cruz contestaram a sua existência, levando à sua extinção temporária.
A Rainha Santa Isabel refundou o mosteiro em 1314, patrocinando uma reconstrução ambiciosa. A igreja, consagrada em 1330, apresenta características góticas únicas: três naves de altura similar, completamente abobadadas em pedra, sem transepto, o que permitiu um claustro mais extenso. Os arquitetos Domingos Domingues e Estevão Domingues conceberam um templo vertical e luminoso, com rosáceas e janelas altas.
As cheias do Mondego marcaram profundamente a vida do mosteiro. Desde 1331, as águas obrigaram a sucessivos ajustes arquitetónicos, com elevação de pisos e construção de níveis superiores. Em 1677, as freiras abandonaram definitivamente o local, transferindo-se para o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova.
Recuperado arqueologicamente entre 1995 e 2000, o mosteiro hoje integra um centro interpretativo que expõe vestígios da vida conventual, oferecendo aos visitantes um olhar íntimo sobre a história medieval portuguesa.
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