Na margem sul do Tejo, em Almada, ergue-se a Fábrica de Moagem do Caramujo, um notável testemunho da revolução industrial portuguesa de finais do século XIX. Fundada em 1872 por António José Gomes, a fábrica foi inicialmente construída para transformação de cereais, aproveitando a proximidade do rio para receção e expedição de mercadorias.
Um incêndio devastador em 1897 destruiu quase…
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Na margem sul do Tejo, em Almada, ergue-se a Fábrica de Moagem do Caramujo, um notável testemunho da revolução industrial portuguesa de finais do século XIX. Fundada em 1872 por António José Gomes, a fábrica foi inicialmente construída para transformação de cereais, aproveitando a proximidade do rio para receção e expedição de mercadorias.
Um incêndio devastador em 1897 destruiu quase completamente o edifício original. A reconstrução, concluída em 1898, representou um marco tecnológico: foi o primeiro edifício em Portugal integralmente construído em betão armado, utilizando técnicas inovadoras de origem francesa.
A estrutura de seis pisos foi concebida para otimizar o processo de moagem, aproveitando a gravidade para movimentar os grãos. A fachada principal, de estilo neoclássico, ostenta elementos decorativos que refletem o espírito progressista da época, como o frontão com o nome da empresa.
Nas décadas seguintes, a fábrica sofreu várias transformações, incluindo a adição de silos cilíndricos nos anos 60. Após um período de declínio, foi adquirida pela Câmara Municipal de Almada em 2002, preservando assim um importante elemento do património industrial local.
Hoje, embora não seja visitável, o edifício permanece como um símbolo da modernização industrial portuguesa e da engenharia construtiva do final do século XIX.
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