Na povoação de Alapraia, no município de Cascais, encontra-se uma necrópole pré-histórica única composta por quatro grutas artificiais escavadas em calcário margoso. Datadas entre finais do 4º milénio a.C. e a Idade do Bronze, estas grutas revelam práticas funerárias complexas das primeiras comunidades camponesas da região.
Cada gruta apresenta uma estrutura semelhante: um corredor es…
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Na povoação de Alapraia, no município de Cascais, encontra-se uma necrópole pré-histórica única composta por quatro grutas artificiais escavadas em calcário margoso. Datadas entre finais do 4º milénio a.C. e a Idade do Bronze, estas grutas revelam práticas funerárias complexas das primeiras comunidades camponesas da região.
Cada gruta apresenta uma estrutura semelhante: um corredor estreito e baixo que conduz a uma câmara circular com uma claraboia no topo, protegida por lajes. Esta configuração, conhecida como 'gruta tipo coelheira', permitia depositar os defuntos na câmara quando o corredor já não oferecia acesso.
Os arqueólogos Afonso do Paço e Eugénio Jalhay iniciaram as escavações em 1932, identificando progressivamente as quatro grutas. Os vestígios arqueológicos são extraordinários: cerâmica campaniforme, artefactos em pedra e osso, e peças votivas únicas, como um par de sandálias de calcário sem paralelo no mundo.
Classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1945, a necrópole de Alapraia oferece um olhar profundo sobre as sociedades pré-históricas que habitavam o litoral português, marcando um período de transformações sociais e culturais significativas.
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