No cento de Tomar, o Convento de Santa Iria revela uma fascinante narrativa arquitetónica que atravessa séculos. Fundado em 1467 por D. Mécia Queiroz, viúva de um importante funcionário do Infante D. Henrique, o espaço começou como um recolhimento de senhoras devotas junto às margens do rio Nabão.
Em 1523, o local passou a seguir a observância de Santa Clara, e em 1536 sofreu uma prof…
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No cento de Tomar, o Convento de Santa Iria revela uma fascinante narrativa arquitetónica que atravessa séculos. Fundado em 1467 por D. Mécia Queiroz, viúva de um importante funcionário do Infante D. Henrique, o espaço começou como um recolhimento de senhoras devotas junto às margens do rio Nabão.
Em 1523, o local passou a seguir a observância de Santa Clara, e em 1536 sofreu uma profunda transformação arquitetónica. Pedro Moniz da Silva, comendador da Ordem de Cristo, financiou uma reconstrução que trouxe elementos renascentistas inspirados na escola de Coimbra, possivelmente desenhados pela oficina de João de Castilho.
A igreja apresenta uma planta retangular com uma fachada principal marcada por um portal escultórico notável. O interior desenvolve-se numa única nave coberta por teto de caixotões decorados e paredes revestidas com azulejos de 'ponta de diamante'. Destaca-se a Capela dos Vales, edificada em meados do século XVI, com abóbada de nervuras e um retábulo de pedra de gosto renascentista.
Os elementos arquitetónicos - os medalhões esculpidos, os grifos no frontão, os pormenores decorativos - contam uma história de transição entre as tradições medievais e as novas linguagens artísticas do Renascimento português.
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