Rua da Junqueira
Camilo Castelo Branco — Mistérios de Lisboa, volume II
- Esse homem é hoje um padre. Assigna-se Diniz Ramalho e Sousa. Vive na Junqueira.
Additional Excerpts
Ao cabo de oito dias mandaram à Junqueira procurar noticias do padre e souberam que elle chegara cinco dias antes muito doente e que não sahira do seu quarto nem déra ordem para se lhe annunciar alguem. As instancias da condessa redobraram, as cartas repetiam-se, as súpplicas estavam sendo um novo supplicio para o solitario pensador dos tormentosos conflictos da sua vida.
Padre Diniz foi a Odivellas. As duas senhoras abraçaram-no na portaria e conheceram que aquelle já não era o homem de quinze dias antes.
O padre entrou na sege e apeou na travessa da Junqueira n.º 44. Os visinhos viram com uma especie de terror abrir-se a porta d'aquella casa tres annos fechada sem que ninguem soubesse dizer o fim que tivera o seu proprietario depois que d'alli sahira amortalhada uma senhora que os bolieiros tiraram morta da carruagem.
- Na travessa da Junqueira, n.º 44, mora um sugeito chamado padre Diniz Ramalho e Sousa. Tenha v. s.ª a generosidade de procural-o e dizer-lhe que de minha ordem faça entregar essa quantia ao marquez do Val. Sei que elle cumprirá. Mereço-lhe este sacrificio.
×