Azambuja

Alexandre Herculano — Cenas de um Ano da Minha Vida. Poesia e Meditação. [1831-1832]. Apontamentos de Viagem [1853-1854]
[…] a gôndola, arrastada pelos rocins da meia civilização, subia mansamente aquela espécie de tanque com o rugido quase incessante dos caniços que bordam as margens e que lhe roçavam pelo costado. A Azambuja, a antiga Vila Franca ou Vila dos Francos descobria-se a espaços e a pouca distância à raiz da cordilheira e no meio dos olivedos.

Additional Excerpts

Pelo Ribatejo fora começavam as debulhas, e de momento em momento se descobrem na loura planície, entre as medas e as paveias, as grandes récuas de cavalos à guia, trotando em círculo nas eiras. Na Azambuja, por detrás da pequena estação de caminho-de-ferro, há um belo arraial de carroças, de diligências, de "char-a-bancs" e de caleches, que o sol a prumo envolve em reflexos de ouro, iluminado de uma leve polvilhação diamantina as caixas pulverulentas dos trens, as folhas dos eucaliptos, os pitorescos arreios das mulas, os andrajos dos mendigos e as características pantalonas do camponês estremenho, feitas de remendos em todas as "nuances" do azul da tecelaria de Alcobaça. Do famigerado pinhal da Azambuja, com o qual noutro tempo fizemos aqui um bem ponderado "pendant" ao terror melodramático das covas de Salamanca, restam apenas alguns pinheiros tristes, magros, nostálgicos.
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