Praça da Alegria

Camilo Castelo Branco — Mistérios de Lisboa, volume II
Agora se a leitora não repara do tractamento que se deu a D. Emilia, moradora na praça d'Alegria, voltemos ao capitulo em que a deixamos resignada com as austeridades do copista de musica ácerca d'uma carruagem que parou defronte d'uma casa proxima, quinze annos depois que Sebastião de Mello lhe deixára cincoenta peças, que seu marido contava todos os mezes e reservava como garantia d'uma socegada… see more

Additional Excerpts

Na Praça da Alegria á porta d'uma casa de tres andares decorados de persianas verdes e opulentos cortinados nas janellas parou uma carruagem. No mesmo quarteirão á janella d'uma casa de dous andares com sacadas de pau muito expressivas da debilidade financeira dos seus locatarios estavam uma mulher de meia idade e um homem de cabellos brancos com a barba justamente apoiada sobre a cabeça da mulher que fixava attentamente a pessoa que apeava da carruagem.
O snr.º Salema fez guiar a carruagem para a praça da Alegria n.º 22. D. Emilia como sempre veio á janella chamada pelo ruido da carruagem e recuou de espanto quando a viu parar a sua porta. Seu marido mal teve tempo de despir um velho casacão de briche e envergar uma casaca preta que podia sem favor pleitear antiguidades com o casacão seu irmão mais novo.
- Pois senhor tenha a bondade de dividir esta quantia em duas quantias iguaes. Uma deve ser entregue a D. Antonia Mascarenhas, secular no mosteiro de Odivellas, a outra a D. Emilia Mascarenhas moradora na praça d'Alegria n.º 22.
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