Campolide

Camilo Castelo Branco — A Queda dum Anjo
Era por uma noite escura e fria de Abril. O vento esfusiava nas ramalheiras de Campolide. A lua, a longas intermitências, parecia, "wagon" dos céus, correr velocíssima entre nuvens pardas, para ir engolfar-se noutras. Então era o carregar-se a escuridão da terra, e mais para pavores o rangido das árvores sacudidas pelos bulcões do setentrião. Soaram doze horas por igrejas daqueles vales. Era um co… see more

Additional Excerpts

Calisto, digamo-lo sem refolhos, caiu. Atascou-se. Foi de cabeça ao fundo do pego em que deram a ossada o último rei dos godos, e Marco António, e o rei enfeitiçado pela comborça Leonor Teles, e Simplício da Paixão, e várias pessoas minhas conhecidas, que experimentaram todos os sistemas de desfazer a vida, desde o muro de S. Pedro de Alcântara até às cabeças dos palitos fosfóricos. Este enguiçado Barbuda, na volta de Campolide, não teve uma lágrima que chorasse sobre a sua dignidade esfarrapada.
×