Terreiro do Paço
Eça de Queirós — A Capital!
Com um grande estrondo o comboio entrou na estação. A plataforma ficou logo cheia de gente, que ia, arrebatada, com embrulhos, chapeleiros, acotovelando-se. Saloios com os passos pesados das suas solas pregueadas, apressavam-se; havia nas faces um ar estremunhado e pasmado; uma criança chorava desesperadamente, e, quando à porta de saída o empregado lhe quis ver as malas, Artur, empurrado, atarant…
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Additional Excerpts
Estavam no Terreiro do Paço: uma lua lívida deixava, de entre nuvens, cair uma mancha luminosa sobre a água sombria.
— Tudo isto precisa ser arrasado, disse mostrando em redor as Secretarias, negras, duma uniformidade
enfática; tinha parado — e olhava, apertando com cólera o castão da bengala, toda aquela reunião de edifícios oficiais, como a pesada e antiquada personificação de regímens funestos — o Banco e o seu ágio, a Alfândega e os seus direitos, os Ministérios e o seu "bureaucratismo". — E pensando no mundo estabelecido, farto, que vive daquelas instituições:
[…]
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