Rua de São Roque

Eça de Queirós — O Primo Basílio
Foram pela Rua de S. Roque. E como guiadas pelas duas linhas de pontos de gás que desciam a Rua do Alecrim, o seu pensamento, o seu desejo foram logo para o Hotel Central. Estaria em casa? Pensaria nela? Se pudesse ir surpreendê-lo de repente, atirar-se-lhe aos braços, ver as suas malas… Aquela ideia fazia-a arfar. Entraram na Praça de Camões. Gente passeava devagar; sob a sombra mais escura que f… see more

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Foram subindo, e Luísa pensava: «Vai para casa, larga-me ao Loreto.» Na Rua de S. Roque espreitou o relógio de uma confeitaria: era meia hora depois do meio-dia! Já Basílio esperava! Apressou o passo, ao Loreto parou. O Conselheiro olhou-a, sorrindo, esperando. - Ah! Pensei que ia para casa, conselheiro! - Já agora quero acompanhá-la, se Vossa Excelência mo permite. Decerto não sou indiscreto? - Ora essa! De modo nenhum. Uma carruagem da Companhia passava, seguida de um correio a trote. O Conselheiro, com um movimento ansioso, tirou profundamente o chapéu. - É o presidente do Conselho. Não viu? Fez-me um sinal de dentro. - Começou logo o seu elogio: - Era o nosso primeiro parlamentar: vastíssimo talento, uma linguagem muito castigada! - E ia decerto falar das coisas públicas, mas Luísa atravessou para os Mártires, erguendo um pouco o vestido por causa de uns restos de lama. Parou à porta da igreja, e sorrindo: - Vou aqui fazer uma devoçãozinha. Não o quero fazer esperar.
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