Campolide
Camilo Castelo Branco — Mistérios de Lisboa, volume II
Tres mezes depois, D. Pedro da Silva, inquilino d'uma pequena casa de campo nas visinhanças do palacete da defunta condessa de Sancta Barbara, em Campolide, escrevia o seguinte:
«Dar-me-ha Deus allivio? Poderei hoje chamar á minha alma as recordações d'esta vagarosa agonia de trez mezes? Creio que não…»
Additional Excerpts
O mestre ordenou-me um dia que me vestisse para passear com elle. Admirou-me esta ordem porque o dia era lectivo e ao domingo nunca se déra uma similhante attenção para comigo.
Sahimos e andamos muito. O padre não me deu uma palavra em quanto atravessamos a maior parte da cidade. Reparei n'um letreiro d'uma rua quasi deserta e li Campolide. Andamos ainda muito atravessamos uma azinhaga perdemos de vista Lisboa por algum tempo em quanto caminhavamos encostados ao muro d uma quinta e ao cabo d esse muro estava um palacete sombrio triste e quasi escondido entre as copas das faias dos chorões e dos cyprestes por um banco de pedra. O padre sentou-se e mandou-me sentar ahi.
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