[Junho 9] De Almourol a Constança é menos de uma légua. Foz do Zêzere: águas cristalinas deste rio rompendo pelas águas barrentas do Tejo. Constança elevada num anfiteatro no ângulo formado pela confluência dos dois rios. É vila em progresso. Nesta como em Constança todas as casas caiadas e novas construções são os indícios disso. Desde antes de Constança os campos à beira do rio são menos extenso…
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[Junho 9] De Almourol a Constança é menos de uma légua. Foz do Zêzere: águas cristalinas deste rio rompendo pelas águas barrentas do Tejo. Constança elevada num anfiteatro no ângulo formado pela confluência dos dois rios. É vila em progresso. Nesta como em Constança todas as casas caiadas e novas construções são os indícios disso. Desde antes de Constança os campos à beira do rio são menos extensos, mais elevados e a propriedade mais dividida do que no Tejo inferior: no fundo colinas cobertas de olivedos coroados aqui e ali de pinhais: nos baixos vinhas. A cultura e o aspecto geral são semelhantes nas duas margens. O Tejo pode-se dividir em três grandes secções com caracteres distintos: Tejo inferior, ou Tejo de lezírias: da Barquinha para a foz margem baixa, rio derramado por entre mouchões, grandes propriedades marginais, grande cultura de cereais: Tejo médio desde a Barquinha até Alvega (o que fica dito dos seus caracteres desde a Barquinha para cima, sobretudo desde Constança): Tejo superior desde Alvega para cima. - Entre Constança e Abrantes, um pouco internadas para as faldas das colinas da margem direita, e a pouca distância uma da outra as duas povoações da Amoreira e de Rio de Moinhos: as colinas próximas não parecem tão férteis, nem tão bem cultivadas, como para o lado de Constança, e o mesmo se pode dizer da margem esquerda fronteira, onde os celeiros são mais remotos. Junto de Rio de Moinhos o Tejo curva-se mais para nascente. Gradualmente as margens tornam-se mais escarpadas e áridas, e a cultura exclusivamente de olivais até Abrantes, onde fundeámos ao anoitecer.
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