— Nós somos filhos do trabalho... Hesitou, parecia, na presença de jornalistas, querer embelezar as suas frases... «Somos da fábrica de fiação da Pampulha, e como V. Ex.ª sabe, estamos em "grève"... A comissão entendeu que deveria publicar um comunicado, para dar coragem... para levantar os ânimos»
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Esteves abrira o "comunicado", e parecia surpreendido. Melchior então, curioso, foi olhar por ci…
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— Nós somos filhos do trabalho... Hesitou, parecia, na presença de jornalistas, querer embelezar as suas frases... «Somos da fábrica de fiação da Pampulha, e como V. Ex.ª sabe, estamos em "grève"... A comissão entendeu que deveria publicar um comunicado, para dar coragem... para levantar os ânimos»
[…]
Esteves abrira o "comunicado", e parecia surpreendido. Melchior então, curioso, foi olhar por cima do ombro dele, leu alto:
«IRMÃOS DO TRABALHO! Quando do cimo do Gólgota o redentor do género humano, já exangue, soltou o grito supremo, foi para proclamar uma aurora de amor e de esperança, e partir a cadeia da escravidão dos pulsos dos filhos da democracia...»
E continuava assim, em duas laudas, falando da «gargalheira de ferro dos tiranos», do «credo da liberdade», da «arca da aliança...». Explicava a greve da Pampulha, como sendo «a aurora que raia para as vítimas do despotismo»; aconselhava os operários «a que se consolassem com o bálsamo da prece, e refrigerassem as frontes fatigadas no puro seio das filhas do povo»; tinha de novo amplificações sobre o Cristo: e terminava: «A vossa Comissão grita-vos do alto da colina: — Coragem, heróis do trabalho, coragem!»
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