Rua da Oliveira
Camilo Castelo Branco — Coisas Espantosas
Castro levantou um pouco a cabeça de Gregorio que elle com rasões de boa aparencia reputava cadaver. Collocado em posição inferior à de Carlota foi-o descendo de degrau em degrau em quanto ella erguendo-lhe as pernas pelas calças evitava que os sapatos ferrados batessem na escada. Chegados ao pateo Castro escutou a respiração de Gregorio e pareceu-lhe que ouvira algum signal de vida, escutou de no…
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Additional Excerpts
Nessa tarde de Junho de 1833 em uma casa da rua da Oliveira agonisava nas derradeiras ancias da colera um homem que representava quarenta anos.
Ao lado do seu leito estava um menino de nove annos e uma mulher de vinte.
No rosto da criança via-se o pavor do espasmo e não sei que de suprema angústia raro manifestada em rosto de criança que assiste ao formidavel trance de seu pai. No semblante da mulher revelava-se a impassibilidade de mera enfermeira e por vezes a impaciencia de quem assiste por obrigação a prolongada agonia.
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