- … Não sabes esta historia?
- Não.
- É rica. Eu t'a conto. A rapariga estava casada de fresco e apenas acabou a lua de mel começou outra d'oleo de ricino. Namorou-se d'um tal Antonio Pisco escudeiro da casa. Era uma especie de gallego largo dos hombros e vermelho como uma lagosta. Costumava ir ao meu escriptorio buscar dinheiro das propriedades de Cascaes que o pobre conde vendia pelo barato. O b…
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- … Não sabes esta historia?
- Não.
- É rica. Eu t'a conto. A rapariga estava casada de fresco e apenas acabou a lua de mel começou outra d'oleo de ricino. Namorou-se d'um tal Antonio Pisco escudeiro da casa. Era uma especie de gallego largo dos hombros e vermelho como uma lagosta. Costumava ir ao meu escriptorio buscar dinheiro das propriedades de Cascaes que o pobre conde vendia pelo barato. O bruto não apreciava a conquista. Um dia appareceu-me com um recibo do conde para levar dous contos de reis. Dei-lhos. Horas depois recebo um bilhete do conde perguntando-me se o seu criado Antonio Pisco não viera receber dous contos de reis á sua ordem. Respondi-lhe que sim e que o recibo estava em meu poder. Passaram-se vinte e quatro horas aparece-me a condessa desfeita em lagrimas. Diz-me que é amiga do desgraçado Antonio Pisco que jogou os dous contos de reis e que está no Limoeiro. Pede-me com as mãos erguidas o emprestimo d'esta quantia para que o pobre rapaz não vá pela barra fóra. Dei os dous contos de reis. Lá como se arranjaram não sei, o caso é que eu fiquei sem o dinheiro e o meu amigo o snr Antonio Pisco appareceu-me com uma hospedaria na rua do Arsenal onde um amigo meu, amador de petiscos me disse que reconhecera uma noite a condessa de Penacova sahindo quando elle entrava. De resto é uma boa senhora. Dá que fazer ao capellão com os seus escrupulos. Dizem-me que jejua toda a quaresma e resa a via sacra com as criadas.
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