Sendo um dos melhores exemplos transmontanos de uma vila medieval desertificada protegida por cerca urbana, o Castelo de Monforte de Rio Livre emerge como um ponto de vigia estratégico em frente aos castelos de Monterrei e Chaves, não longe da via romana que ligava Bracara Augusta a Astorga. Embora alguns autores apontem origem proto-histórica, o conjunto actualmente edificado data de finais do…
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Sendo um dos melhores exemplos transmontanos de uma vila medieval desertificada protegida por cerca urbana, o Castelo de Monforte de Rio Livre emerge como um ponto de vigia estratégico em frente aos castelos de Monterrei e Chaves, não longe da via romana que ligava Bracara Augusta a Astorga. Embora alguns autores apontem origem proto-histórica, o conjunto actualmente edificado data de finais do século XIII e primeira metade do seguinte.
A ascensão de Monforte a cabeça de território aconteceu no reinado de D. Afonso III, que passou carta de foral em 1273, integrando a organização da fronteira setentrional que também originou o castelo de Montalegre. A (re)construção da fortaleza continuou pelo reinado de D. Dinis, estando concluída na primeira metade do século XIV quando se documenta alcaide e verifica forte crescimento urbano.
A torre de menagem de 1312, principal elemento remanescente, apresenta planimetria pouco comum ao estar adossada exteriormente ao pátio de armas, embora parcialmente protegida pela cerca urbana — disposição que revela evolução defensiva. De planta quadrangular com três andares escassamente documentados por apertadas frestas, possui acesso por porta elevada de arco de volta perfeita. No piso inferior conserva cisterna abobadada, o piso nobre separava-se do inferior por abóbada de berço, e escadaria em caracol integrada na espessura da parede conduzia ao adarve. O coroamento por mísulas tripartidas suportaria desaparecido balcão de matacães com ameias piramidais de construção gótica.
O pátio rectangular de aparelho cuidado acede-se por duas portas: a sul de arco de volta perfeita e vão estreito, a ocidental mais larga de arco quebrado, porta principal que comunicava com a vila medieval. Esta possuía três portas e cerca muralha que rompia simetria para proteger pequena fonte, abrigando no interior Casa da Câmara, igreja paroquial e capela de Nossa Senhora do Prado.
Em inícios de Quinhentos, Duarte de Armas documentou despovoamento com apenas dez ou doze vizinhos. A Restauração trouxe meio baluarte sobre parcela medieval. Sujeito a obras em meados do século XX e melhoramentos nos anos 90, o conjunto aguarda projecto de investigação arqueológica global.
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