No coração do Alentejo, o Cabeço do Torrão revela uma paisagem arqueológica complexa que documenta mais de mil anos de ocupação humana. No topo de uma pequena colina, um antigo cromeleque composto por doze menires marca o primeiro momento de sacralização do território, provavelmente durante o período neolítico.
Numa fase posterior, no final do neolítico e início do calcolítico, foi co…
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No coração do Alentejo, o Cabeço do Torrão revela uma paisagem arqueológica complexa que documenta mais de mil anos de ocupação humana. No topo de uma pequena colina, um antigo cromeleque composto por doze menires marca o primeiro momento de sacralização do território, provavelmente durante o período neolítico.
Numa fase posterior, no final do neolítico e início do calcolítico, foi construído um recinto habitacional delimitado por um fosso com cerca de 1,5 metros de profundidade. No interior deste espaço, catorze fossas escavadas na rocha sugerem áreas de armazenamento associadas a cabanas, revelando estratégias de sobrevivência das comunidades pré-históricas.
Na base do cabeço, uma sepultura megalítica de planta rectangular, composta por quatro esteios unidos por muros de pedra, oferece um olhar sobre os rituais funerários da época. Os vestígios arqueológicos - machados, elementos de foice em sílex e fragmentos cerâmicos - testemunham a progressiva adaptação das comunidades aos recursos naturais da região.
O sítio arqueológico permite compreender como, a partir deste pequeno cabeço, as populações estruturaram a apropriação do território, controlando zonas baixas e férteis próximas das ribeiras do Torrão e da Murteira.
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