Na Capela de Nossa Senhora da Piedade, adossada ao claustro da Sé de Braga, encontra-se o túmulo do Arcebispo D. Diogo de Sousa, uma obra escultórica de cerca de 1530 que captura a complexidade do período renascentista português. O sarcófago, assente sobre seis leões, apresenta uma estátua jacente do arcebispo em vestes pontificais, com as mãos em posição de oração e um terço, repousando sobre …
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Na Capela de Nossa Senhora da Piedade, adossada ao claustro da Sé de Braga, encontra-se o túmulo do Arcebispo D. Diogo de Sousa, uma obra escultórica de cerca de 1530 que captura a complexidade do período renascentista português. O sarcófago, assente sobre seis leões, apresenta uma estátua jacente do arcebispo em vestes pontificais, com as mãos em posição de oração e um terço, repousando sobre um cão.
D. Diogo de Sousa, nascido nos anos 60 do século XV, foi uma figura fundamental na transformação de Braga. Bispo do Porto entre 1496 e 1505 e posteriormente Arcebispo de Braga, destacou-se por profundas intervenções urbanísticas e culturais. A inscrição lateral do túmulo revela a sua proximidade com a coroa, tendo sido embaixador junto do Papa e capelão-mor de várias rainhas.
Curiosamente, o jazigo mantém características medievais, contrastando com o espírito humanista que o arcebispo promoveu. A estátua, de execução rígida, difere significativamente das obras arquitetónicas refinadas que patrocinou. O túmulo, construído em 1530 na capela que ele próprio instituiu em 1513, constitui um registo histórico único da transição entre a Idade Média e o Renascimento português.
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